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2026: um ano de decisões estruturais para o setor

2026-01-29

O setor dos transportes enfrenta um ponto de inflexão: ou se criam condições reais para uma transição sustentável, competitiva e economicamente viável, ou corremos o risco de comprometer a capacidade das empresas e a própria coesão do sistema logístico nacional.

O ano de 2025 ficará registado como um período de profunda transição para o setor dos transportes e da logística. Num contexto marcado por instabilidade geopolítica, pressões inflacionistas persistentes, transformação regulatória acelerada e exigências crescentes em matéria ambiental e social, as empresas do setor foram chamadas, mais uma vez, a demonstrar resiliência, capacidade de adaptação e visão estratégica.

Apesar das adversidades, o setor voltou a provar que é um pilar essencial da economia nacional, assegurando a continuidade das cadeias de abastecimento, a mobilidade de pessoas e bens e a competitividade das empresas portuguesas num mercado cada vez mais global e exigente.

O balanço de 2025: desafios conhecidos, impacto reforçado

Ao longo de 2025, assistimos à consolidação de desafios que já vinham a marcar os anos anteriores. O aumento estrutural dos custos operacionais — combustíveis, energia, manutenção, financiamento e mão de obra — continuou a pressionar fortemente as margens das empresas. A escassez de motoristas e profissionais qualificados manteve-se como um dos principais constrangimentos ao crescimento e à renovação do setor.

Paralelamente, o enquadramento regulatório, quer a nível nacional quer europeu, tornou-se mais complexo e exigente. A multiplicação de obrigações administrativas, ambientais e fiscais nem sempre foi acompanhada por medidas de apoio eficazes ou por uma verdadeira avaliação do impacto económico sobre as empresas, em particular as PME que constituem a espinha dorsal do setor.

Ainda assim, 2025 foi também um ano de investimento e de adaptação. Muitas empresas avançaram com a renovação das suas frotas, com a digitalização de processos e com a adoção de soluções mais eficientes e sustentáveis, demonstrando um claro compromisso com a modernização e com a transição energética.

 2026 e além: da adaptação à decisão estratégica

Se 2025 foi um ano de transição, 2026 terá de ser, inevitavelmente, um ano de decisões estruturais. O setor dos transportes enfrenta um ponto de inflexão: ou se criam condições reais para uma transição sustentável, competitiva e economicamente viável, ou corremos o risco de comprometer a capacidade das empresas e a própria coesão do sistema logístico nacional.

A transição energética continuará a ser um dos grandes desafios. É fundamental que as metas ambientais sejam acompanhadas por soluções tecnicamente viáveis, economicamente acessíveis e sustentadas por uma rede de infraestruturas adequada. A neutralidade tecnológica deve ser respeitada, permitindo às empresas escolherem os caminhos mais adequados à sua realidade operacional, sem imposições desfasadas do mercado.

Ao mesmo tempo, será decisivo investir nas pessoas. A valorização das profissões do setor, a simplificação dos processos de formação e certificação, e a criação de condições de trabalho mais atrativas são essenciais para garantir a renovação geracional e a continuidade da atividade.

O papel da ANTP: representação, diálogo e construção de soluções

Enquanto Associação representativa do setor, a ANTP continuará a assumir um papel ativo, firme e responsável na defesa dos interesses das empresas. O diálogo com o Governo, com as entidades reguladoras e com os parceiros sociais terá de ser reforçado, com foco em soluções práticas, equilibradas e sustentáveis.

É fundamental que as políticas públicas reconheçam o setor dos transportes como um parceiro estratégico da economia e não apenas como um alvo regulatório. Competitividade, sustentabilidade e coesão territorial não são objetivos incompatíveis — exigem, sim, visão, planeamento e cooperação.

Conclusão

O futuro do setor dos transportes não se decide apenas por metas ou regulamentos, mas pela capacidade coletiva de alinhar ambição ambiental, viabilidade económica e justiça social. 2026 será determinante para definir esse equilíbrio.

A ANTP estará, como sempre, disponível para contribuir de forma construtiva para esse caminho, defendendo um setor moderno, competitivo e preparado para responder aos desafios do futuro.

SÓNIA VALENTE - Presidente da ANTP

Artigo Original na Revista Transportes & Negócios (VER ARTIGO) 


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